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Nootrópicos: conheça as “drogas inteligentes” que podem potencializar o cérebro

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Pelo menos alguma vez na vida, você já teve que estudar bastante para um vestibular ou concurso com ampla concorrência e, quando chegou no dia da prova, passou pela situação desesperadora de ter aquele “branco”. O famoso esquecimento instantâneo é bastante comum e comprovado cientificamente, sendo explicado por especialistas como um episódio de lapso de memória causado pela falta de concentração.

Segundo eles, esses pequenos “apagões” da mente estão relacionados, na maioria dos casos, ao excesso de atividades que uma pessoa exerce no dia a dia e com a maneira com que ela realiza cada uma delas. Quando uma pessoa lê um relatório ao mesmo tempo em que atende ao telefone ou envia e-mails, por exemplo, maiores são as suas chances de ter os terríveis “brancos” na memória.

É por este motivo que, cada dia mais, estudantes e pessoas que trabalham o dia inteiro em atividades simultâneas estão em busca de medicamentos e suplementos que possam ajudar na melhora da concentração e memória, a fim de aumentar a produção e criatividade ao longo da rotina. No entanto, a má notícia é que boa parte desses produtos, apesar de excelentes para potencializar o funcionamento do cérebro, costuma trazer efeitos colaterais indesejados, como arritmia e ansiedade, podendo até atrapalhar o cotidiano de quem os ingere regularmente.

Neste sentido, é fácil entender porque os chamados nootrópicos estão fazendo sucesso e se popularizando nos últimos anos entre pessoas que compõem essa parcela da população. As substâncias são capazes de melhorar o desempenho do cérebro, potencializando a concentração e memória, mas sem causar quaisquer efeitos colaterais negativos em quem as ingere, tornando-as ideais em universidades e corporações que possuem ambientes extremamente competitivos.

Do grego “nóos”, que significa mente, e “tropo”, que quer dizer direção, as substâncias apelidadas pela comunidade científica como “drogas inteligentes” são mesmo capazes de melhorar as funções cognitivas de maneira eficiente, sendo utilizadas, inclusive, no tratamento de doenças degenerativas, como o Mal de Alzheimer. Não é interessante?

Se você sofre com a falta de atenção e perda de memória instantânea freqüentes, continue lendo esse artigo até o final e saiba como os nootrópicos podem te ajudar a resolver o problema.

O que são os nootrópicos?

Os nootrópicos nada mais são do que substâncias, sejam elas naturais ou sintéticas, que ajudam no aumento da capacidade mental, melhorando as funções cognitivas relacionadas à concentração, memória e aprendizado, sendo consideradas até mesmo ótimas aliadas para melhorar o humor.

Apesar de possuírem efeitos semelhantes aos demais medicamentos com as mesmas funções, o grande diferencial dos nootrópicos está relacionado à ausência de efeitos colaterais negativos, podendo ser usados sem qualquer interferência na rotina do paciente. Conhecidas popularmente como “drogas inteligentes” ou “drogas da inteligência”, as substâncias podem se apresentar tanto em forma de medicamentos, suplementos, plantas ou até mesmo de alimentos.

Alguns deles, inclusive, já são utilizados há milhares de anos pelos homens como agentes estimulantes do cérebro, tais como o chocolate, a cafeína e o tabaco. No entanto, o termo nootrópicos só passou a ser conhecido a partir de 1972, quando um pesquisador romeno chamado de Dr. Cornelium E. Giurgea o usou pela primeira vez, ao se referir ao medicamento Piracetam, muito comum no tratamento de doenças cognitivas e debilitantes.

Antes, essas substâncias só eram utilizadas e só podiam ser prescritas em pacientes diagnosticados com enfermidades mentais. Atualmente, estudos realizados com pessoas saudáveis têm apontado os benefícios que elas podem trazer para aumentar a as funções cerebrais.

nootropicos

Como eles funcionam?

Os nootrópicos atuam no cérebro potencializando as capacidades cognitivas, como as de concentração e de memória, além de favorecer uma melhora da produtividade, criatividade e humor. Isso porque as substâncias aumentam o fluxo de sangue no cérebro (fornecendo mais oxigênio), favorecem a neurogênese (produção de neurônios) e estimulam o sistema nervoso central.

Para quem não sabe, o cérebro é formado por bilhões de neurônios, estes conectados por sinapses e que se comunicam através dos chamados neurotransmissores. Quando estes últimos conseguem emitir os seus sinais de maneira eficiente, há um aumento da concentração e da memória, além de uma melhora do humor. É por isso que os nootrópicos são tão importantes para resolver esses problemas, uma vez que potencializam a capacidade da rede sináptica dos neurônios.

O resultado disso é mais energia mental, melhora da memória, aumento da concentração e maior capacidade de aprendizagem.

Conheça os principais tipos

Como falamos no decorrer desse artigo, os nootrópicos podem ser encontrados em diversas formas, como em medicamentos, suplementos ou, ainda, a partir de vitaminas e aminoácidos que fazem parte da composição nutricional de plantas e alimentos.

Veja, a seguir, quais as substâncias consideradas como nootrópicos e que você pode usar para potencializar as atividades do seu cérebro:

Vitaminas e minerais

  • Vitamina A

  • Vitaminas do Complexo B: B3 (Niacina), B5 (Ácido pantotênico), B6 (Piridoxina), B9 (Ácido fólico) e B12 (Cobalamina)

  • Vitamina C

  • Vitamina D

  • Vitamina E

  • Cálcio

  • Cobre

  • Cromo

  • Ferro

  • Fósforo

  • Magnésio

  • Manganês

  • Potássio

  • Selênio

  • Zinco

Aminoácidos e compostos orgânicos

  • L-Glutamina

  • L-Arginina

  • L-Theanina

  • Acetil L-Carnitina

  • Tirosina

  • Fenilalanina

  • Nootrópicos, as ‘drogas inteligentes’ que são moda no Vale do Silício

    Direito de imagemTHINKSTOCKImage ca

    Imagine se toda manhã, antes de ir para o trabalho, você tomasse um comprimido que, além de te deixar mais ligado e concentrado, melhora a memória e impulsiona a criatividade e a produtividade.

    É isso que cada vez mais pessoas estão fazendo em lugares como o Vale do Silício – região do norte da Califórnia, nos EUA, considerada a capital mundial da indústria da tecnologia –, onde os chamados nootrópicos vêm se popularizando nos últimos anos.

    Essas substâncias – cujo nome vem do grego “nóos” (mente ) e “tropo” (direção) – supostamente são capazes de ajudar a melhorar o desempenho mental sem produzir efeitos colaterais negativos.

    Apesar do ceticismo da comunidade científica quanto a sua eficácia, esses “potencializadores cognitivos” são cada vez mais usados em ambientes de trabalho competitivos, nos quais o intelecto é muito mais importante do que qualquer outra habilidade.

    Leia mais: Explosão de popularidade de droga sintética coloca polícia da China em alerta

    Leia mais: Teste identifica ‘melhor maneira’ de combater perda de memória

    Sob o guarda-chuva dos nootrópicos estão, por exemplo, compostos químicos da família dos racetams (como o piracetam e o pramiracetam) e substâncias como vitaminas e aminoácidos encontrados em alimentos e plantas que podem ser comprados em lojas de suplementos e de produtos naturais.

    Alguns são remédios receitados para o tratamento de idosos que apresentam alterações em seus mecanismos cognitivos e que sofrem de males como a demência e o Alzheimer.

    Seus defensores asseguram que essas substâncias ajudam, por exemplo, a melhorar a memória, a capacidade de aprendizagem e a concentração.

    Medicamentos como o Adderall, prescrito para tratar transtornos como hiperatividade e narcolepsia, também são utilizados por estudantes que querem melhorar o desempenho cognitivo, apesar do risco de efeitos colaterais como arritmia e ansiedade.

    Popularidade

    Nos anos 70, o pesquisador romeno Corneliu E. Giurgea definiu como nootrópicos as substâncias que, apesar de potencializar as capacidades cognitivas, não são tóxicas, viciantes ou provocam efeitos colaterais significativos.

    Não há um consenso sobre como funcionam muitas dessas substâncias, embora quem as utilize acredite que elas melhoram o metabolismo cerebral.

    ThinkstockDireito de imagemTHINKSTOCKImage captionAumento no uso de nootrópicos levou a um boom de empresas que vendem pílulas com diversas dessas substâncias, entre elas algumas populares, como cafeína e ômega 3 | Foto: Thinkstock

    Embora não haja dados oficiais, seu uso tem crescido nos últimos anos em países como os Estados Unidos. Na internet, proliferaram blogs e fóruns de discussão que debatem que nootrópicos consumir, e em que quantidade.

    Com o incremento da demanda, houve um boom de empresas que vendem pílulas com diversas substâncias consideradas nootrópicas, como cafeína e ômega 3.

    Entre essas companhias, estão a Nootroo e a Nootrobox, startups do Vale do Silício que asseguram ter entre seus investidores importantes nomes da indústria da tecnologia.

    Elas afirmam que os efeitos dos nootrópicos dependem da quantidade consumida e do metabolismo do usuário, e que não há estudos que tenham determinado os efeitos a longo prazo.

    ‘Úteis’

    Jesse Lawler, programador que vive em Los Angeles, começou a se interessar por nootrópicos e outras drogas inteligentes há alguns anos.

    “Percebi que poderiam ser úteis para as tarefas mentais que tinha de fazer no trabalho”, explicou Lawler, que produz e apresenta o podcast Smart Drug Smarts.

    “No meu caso, têm se mostrado úteis para, por exemplo, ampliar os períodos de concentração. Uso como ferramentas para melhorar meu estado mental”, afirmou Lawler à BBC.

    O programador disse que, embora “em nossa sociedade a palavra droga tenha conotação negativa”, as que ele consome “têm efeitos fisiológicos benéficos.”

    Foto: BBCImage captionEstudantes estão fazendo uso de remédios prescritos para tratar hiperatividade e narcolepsia com o intuito de aumentar o desempenho cognitivo, sem considerar o risco de efeitos colaterais | BBC

    “Além disso, procuro seguir uma dieta equilibrada e fazer exercício. Nunca tomaria nada que poderia ter um efeito negativo sobre meu corpo e, principalmente, sobre meu cérebro”, assegurou Lawler.

    Segundo ele, os nootrópicos são especialmente populares entre os trabalhadores do Vale do Silício e de Wall Street, meca do mercado financeiro em Nova York.

    “Existe uma ideia de que, se você usa drogas inteligentes para potencializar sua inteligência, está trapaceando… Mas não acredito haver algo de mal em querer que seu cérebro funcione melhor.”

    Lawler reconhece que há entre os usuários dos nootrópicos uma “confusão sobre que substâncias usar e como tomá-las”, e que há muita gente que está se aproveitando disso para ganhar dinheiro.

    “Se você está pensando em comprar pela internet, tenha cuidado”, adverte.

    ‘É melhor fazer exercício’

    Lucien Thomson, professor de neurociência da Universidade do Texas em Dallas, põe em dúvida a eficácia de muitos dos nootrópicos. “Os estudos já realizados não são conclusivos”, afirmou à BBC.

    “Muitos dos sistemas neurotransmissores que conhecemos e que e estão ligados à memória também participam de outros processos. Se você tomar algo para melhorar a memória, estará afetando também outras funções cerebrais, com efeitos imprevisíveis”, continuou.

    ThinkstockDireito de imagemTHINKSTOCKImage caption“A atividade cerebral melhora com o exercício. As pessoas levam um estilo de vida sedentário e querem resolver isso com uma pílula”, diz o professor Lucien Thomson | Foto: Thinkstock

    “Além disso, não é possível controlar as quantidades dessas substâncias que as pessoas andam tomando. Sem uma supervisão adequada e considerar os possíveis efeitos colaterais, as consequências podem ser perigosas”, disse o especialista.

    Segundo ele, a melhor estratégia para melhorar as funções cognitivas é manter uma boa saúde.

    “Sabemos que a atividade cerebral melhora com o exercício. As pessoas levam um estilo de vida sedentário e querem resolver isso com uma pílula, o que é absurdo”, afirmou.

    Para o especialista, é preciso ainda estimular a mente. “Fazendo palavras cruzadas, por exemplo, e mantendo uma vida social. E não me refiro às redes sociais, mas sim conversar com outras pessoas. Tudo isso traz benefícios à memória.”

    Thomson não nega que alguns remédios possam trazer benefícios para a memória, mas ressalta que, nos estudos já realizados, a maioria do que é vendido como nootrópico não levou a efeitos positivos.

  • ptionComunidade científica é cética quanto à eficácia de substâncias que atuariam como “potencializadores cognitivos”, cada vez mais usadas por quem trabalha em ambientes competitivos | Foto: Thinkstock

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