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Índios que viviam na Amazônia há mil anos

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Índios que viviam na Amazônia há mil anos dependiam da pesca e preferiam o pirarucu

Pesquisa da Fapesp feito em sítio arqueológico em Iranduba rompe com a ideia de que os indígenas dependiam da caça e da coleta de alimentos

Pelas suas proporções, pirarucu era importante fonte de alimento para os indígenas, de acordo com estudoFoto: Raimundo Valentim / Acervo DA

Um estudo arqueológico publicado no Journal of Archaeological Science aponta que os índios que viviam na Amazônia Central há mais de mil anos dependiam principalmente da pesca para se alimentar. De acordo com a publicação, o pirarucu era o peixe mais consumido pelos indígenas, que também tinham nas tartarugas uma importante fonte de proteína animal.

A pesquisa serviu para romper com a imagem de que as tribos pré-históricas amazônicas tinham seu modo de vida era baseado na caça e na coleta de alimentos.

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As escavações que serviram de base para o estudo foram feitas no sítio arqueológico Hatahara, que vem sendo estudado há mais de uma década pelo arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

Hatahara fica na margem esquerda do Rio Solimões, em Iranduba, a cerca de 20 quilômetros do Encontro das Águas, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta. O sítio foi ocupado continuamente por mais de mil anos, entre os anos 300 e 1500.

O estudo foi focalizado na chamada fase Paredão (entre os anos 750 e 1230), que leva este nome por causa das características da cerâmica usada pelos índios no período. Nessa fase, Hatahara era um cacicado enorme. Ocupava pelo menos 20 hectares e se estendia por vários quilômetros na margem do rio. Reunia dezenas de aldeias onde viviam milhares de índios. Como faziam para alimentar tanta gente era o que queria descobrir a equipe de arqueólogos.

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Durante as escavações, eles coletaram vestígios de milho, inhame e mandioca, espécies que podem ter sido cultivadas em Hatahara, assim como várias espécies de palmeiras.

A surpresa veio quando estudaram os quase 10 mil vestígios de animais vertebrados, como fragmentos de ossos de mamíferos e répteis, e esqueletos e espinhas de peixe. “Fala-se muito na caça na Amazônia como modo preferencial de subsistência dos índios. Quando começamos a escavação, tínhamos a expectativa de achar muitos restos de mamíferos”, disse a zooarqueóloga Gabriela Prestes-Carneiro, primeira autora do artigo e responsável pelo trabalho de análise e catalogação dos restos animais encontrados em Hatahara. “Para a nossa grande surpresa, mais de 90% eram peixes”, disse Gabriela, pesquisadora da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém.

Em seguida, vieram os restos de quelônios, principalmente de tartaruga-da-amazônia. “Restos de mamíferos não passaram dos 3%”. Em sua maioria eram pequenos marsupiais como os gambás ou roedores como a capivara, os ratos-de-espinho e a cutia. Também foram achados restos de répteis (jacaré, lagartos e cobras) e de aves.

O cardápio de pescado consumido em Hatahara era muito variado: nada menos que 37 táxons, pertencentes a 16 das 28 famílias de peixes que habitam os rios da região.

As espécies prediletas eram o pirarucu e o aruanã.  Por conta de suas grandes proporções, o pirarucu era uma fonte preferencial de proteína animal para os índios.

O segundo grupo mais consumido eram os peixes lisos, como o surubim, pintado, acari, bodó e tamoatá. A seguir vinha a família das piranhas, especialmente pacu, tambaqui, traíra e o peixe-cachorro.  Por fim, entre as principais espécies mais capturadas, estavam os tucunarés, enguias e arraias, entre muitas outras.

Splendeurs du monde indigène_o

Desmatamento veio na era pré-colonial

De acordo com pesquisadores e arqueólogos, diferente do que foi narrado nos livros de história, o cenário da Amazônia pré-colonial não era uma floresta praticamente inabitada e, sim, uma região densamente ocupada, com aldeias populosas.

De acordo com o arqueólogo e professor do Departamento de Arqueologia da Universidade de São Paulo (USP), várias mudanças têm ocorrido nos últimos anos. “Se prestarmos atenção, encontraremos por toda a Amazônia, evidências de que essa região foi densamente ocupada no passado, com pessoas vivendo por toda parte”, afirmou.

“Essas pessoas eram os ancestrais dos povos indígenas que vivem até hoje na Amazônia. Se andarmos na região, no interior de Rondônia, do Pará, no Amazonas, na beira dos grandes rios, vamos encontrar evidências de que pessoas viveram ali. É comum encontrar em casas dessas regiões, as caretas, fragmentos de cerâmicas antigas produzidas de centenas a milhares de anos atrás, além de objetos de pedra lascada, machadinhas e outros utensílios antigos”.

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De acordo com o arqueólogo, existem datações que provam essa existência. “Sabemos hoje em dia que tem gente vivendo na Amazônia há pelo menos 14 mil anos, mais ou menos a época em que o continente americano foi ocupado. Os povos indígenas que vivem aqui nas Américas, eles descendem de populações que vieram da Ásia e migraram acerca de 20 mil anos. Na região do Rio Guaporé, em um sítio arqueológico chamado Abrigo do Sol, escavado na década de 70, temos datações de carbono de presença humana de 14 mil anos”.

Na região de Monte Alegre no Pará, na Serra dos Carajás, o baixo Rio Negro e na Amazônia colombiana existem datações que provam a presença humana a mais de 10 mil anos.

Agência Fapesp / portal@d24am.com

 

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