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Cultivar sua própria comida é como imprimir seu próprio dinheiro

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Ron-Finley
Ron Finley planta jardins de vegetais na zona centro-sul de Los Angeles, em terrenos baldios, canteiros de rua, meios-fios e incetiva as pessoas da sua comunidade a fazerem a mesma coisa, apesar dele considerar a jardinagem uma arte, não faz isso simplesmente porque acha bonito, existe um motivo muito nobre por trás dessa ação.
A sua horta comunitária oferece uma alternativa ao fast food em um cenário onde “os drive-thrus estão matando mais pessoas que a violência”, esses jardins com vegetais livre de agrotóxico  estão lá para serem colhidos por qualquer um que precisar, e a mobilização da comunidade para a construção de novos jardins não somente melhora a convivência entre as pessoas, como também incetiva as crianças a consumirem mais vegetais, “se as crianças cultivam couve, elas comem couve. Se elas cultivam tomates, elas comem tomates”, e também ajuda afastar os jovens das gangues , pois ocupam eles com o  oficio da jardinagem.

Foto retirada do Flicr do projeto www.flickr.com/photos/lagreengrounds/

Os jardineiros voluntários do LA Green Grounds, grupo criado por Ron Finley. CC Flickr lagreengrounds.

Na sua palestra do TED, ele fala algo muito forte “Cultivar sua própria comida é como imprimir seu próprio dinheiro”. Se você quiser ver a palestra completa, ela se encontra logo abaixo, porém ela não é necessária para continuar lendo essa matéria, então se não quiser dedicar 10 minutos do seu tempo, pode pular e continuar a leitura 😉

https://embed-ssl.ted.com/talks/ron_finley_a_guerilla_gardener_in_south_central_la.html

Seguindo essa ideia de “faça você mesmo”, é bom citar o caso de Ycouba Sawadogo, um homem de Burkina Faso que sozinho conseguiu transformar 30 hectares de deserto em uma floresta com mais de 60 espécies de árvores.

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Para tal feito ele usou a técnica “Zai”, que é usada para recuperar solos pobres do Sahel, chamados de ‘Zippelle’. O início da técnica consiste em fazer buracos circulares com 20 a 40 cm de diâmetro e 10 a 20 cm de profundidade (as dimensões variam de acordo com o tipo de solo). Os orifícios são feitos durante a estação seca (entre novembro e maio, em Burkina) e o número de crateras no solo varia de 12.000 a 25.000 por hectare.

Estes buracos são preenchidos com adubos e fezes de animais, e após a primeira chuva deve-se cobrir cada cratera com uma fina camada de terra depois de colocar as sementes. Com isto, cada buraco serve como um funil para reter a umidade e os nutrientes durante a estação seca e evitar que as sementes sejam levadas pela chuva, perdendo sua eficácia.

De acordo com um artigo reproduzido pelo Banco Mundial, a técnica ‘Zai’ pode aumentar a produção em 500% se executada da maneira correta ou seja, ela faz um verdadeiro milagre.

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Os vídeos abaixo relatam as conquistas e as dificuldades enfrentadas por Yacouba Sawadogo e mostra como é feita a técnica ‘Zai’ e seus resultados (novamente avisando que os vídeos são apenas complementos, você pode continuar a leitura sem vê-los)

O homem que parou o deserto:


O Zai Pits é uma técnica tão boa que está sendo usada não somente para vencer um deserto, como também para vencer a fome:

Com atitude, pouco investimento ou investimento zero, esses dois fizeram uma grande diferença, e é justamente isso que gostaria reforçar aqui: Atitudes simples que podem mudar não somente a sua vida, como a de todos que estão ao seu redor.

Se você for esperar essa atitude dos políticos, vai acabar esperando sentado, mas relaxe algumas dessas ações podem e devem partir de você, então voltemos ao ponto inicial então: “Cultivar sua própria comida é como imprimir seu próprio dinheiro”.

Aqui no Brasil creio que deve ser um pouco complicado tentar fazer uma horta comunitária como o pessoal do LA Green Grounds, pois é muito comum nos Estados Unidos encontrar casas com muito espaço livre na frente e sem muros, ou calçada largas. Mas complicado não é impossível, aqui no Brasil horta comunitária já é uma realidade:

E segue algumas dicas de como você pode começar a sua, e ainda deixo um link com dicas extras:

“Mas eu moro em apartamento, não posso fazer uma horta”

Pode sim, o Serpar, Serviço de Parques de Lima, no Peru, criou passo-a-passo que mostra como é possível fazer uma horta em casa, ocupando apenas 1 m². Veja na figura abaixo como é simples:

Horta metro

Você constrói a horta em uma caixa de madeira ou no próprio chão, caso haja um jardim espaço pra jardim na varanda. As estruturas verticais são feitas com tubos de ferro ou PVC e servem para sustentar as plantas de cultivo vertical como tomate, pepino e ervilha.

Já na parte debaixo da horta, planta-se as verduras e legumes de cultivo horizontal. Para isso, o canteiro deve ser dividido em quadrados ou retângulos do mesmo tamanho: cada espaço é designado para uma cultura diferente, a escolha do hortelão. A única regra é cultivar as plantas maiores – como brócolis, pimentão e berinjela – nas filas de trás e as menores – como alface, beterraba e espinafre – na frente, para que todas recebam a luz do sol que precisam para se desenvolver.

É importante alternar as plantas de colheita rápida com aquelas cujo cultivo demora mais tempo também é importante para evitar a competição por espaço.

Não tem segredo e se fizer direito, essa pequena horta é capaz de suprir a alimentação diária de uma pessoa, garante o Serpar.  Tudo bem que nesse caso deixaria de ser uma horta comunitária, caso fosse construída dentro de um apartamento, mas essa mesma técnica também poderia ser aplicada no jardim do prédio ou em outro lugar pré-determinado pelos moradores, então basta negociar com o seu prédio como ficaria essa dinâmica 😉

Para mais dicas sobre como fazer sua horta, recomendo esse livro:
http://hotmart.net.br/show.html?a=T4041116S

Um outro ponto importante a ser debatido, são as ilhas de calor. As cidades estão ganhando cada vez mais prédios e perdendo cada vez mais áreas verdes, a variação de temperatura em relação a zona rural pode chegar até 10º.
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Uma das formas mais eficientes de combater o calor nos centro urbanos, é plantando árvores, porém poucas pessoas sabem que  podem contribuir com o plantio de árvores em áreas particulares, quintais e pátios, porém segundo a legislação, somente a Prefeitura de sua cidade está autorizada a fazer o plantio, poda e remoção, mas você pode fazer uma solicitação de plantio para as autoridades responsáveis. Na cidade de São Paulo o serviço e/ou a autorização devem ser pedidos pelo telefone 156 ou pessoalmente nas subprefeituras, caso você more em outra cidade e queira saber qual o número pesquise no google por: Solicitar plantio de árvores [nome da sua cidade].

Creio que cada cidade deve ter sua cartilha sobre plantio de árvores em áreas públicas, mas elas devem ser muito parecida com essa que deixarei nesse link, então caso queira entender melhor os procedimentos leia a cartilha antes de fazer uma ligação 😉
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Agora imagina juntar o conceito das hortas comunitárias com uma comunidade auto-sustentável. Sim, isso também é possível.

Os “Agrihoods” se tornaram uma febre nos EUA, estes empreendimentos residenciais tem como diferencial fazendas comunitárias de agroecologia. De acordo com site CivilEats, existem atualmente cerca de 200 deles em todo o país.

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O mais recente, chamado The Cannery, da New Home Company é considerado o primeiro agrihood a criar raízes em terras anteriormente industriais. A comunidade também é o lar de 547 casas, toda são eficientes em termos energéticos onde cada uma é alimentada por energia solar e vem equipada com tomadas de energia para carros elétricos.

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Sua fazenda comunitária possui quase 30 mil metros quadrados e será gerida pelo Centro de Aprendizagem Baseada em Terra, um grupo sem fins lucrativos que pretende executar programas de educação agrícola para estudantes e aspirantes a agricultores do local, além de uma operação comercial com foco em vegetais orgânicos, para abastecer a comunidade e também serem vendidos pra fora.

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The Cannery também possui uma rede de 16 km de trilhas de bicicleta, uma rede de trilhas para pedestres para as pessoas para se locomoverem. A praça central oferece espaço para encontros ao ar livre, acesso a lojas de varejo e estacionamento de bicicletas coberto com lugares para usar e carregar dispositivos eletrônicos. Haverá também uma sala de aula agroecologia para aqueles que desejam aprender sobre agricultura. Além de ser um empreendimento residencial, o The Cannery servirá como um modelo de agrihood e de agricultura urbana sustentável.

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Vários cientistas concluíram e demonstraram que a agricultura biológica é a melhor e mais sustentável em todo o mundo. A União de Cientistas Preocupados diz que os cultivos transgênicos ainda não conseguiram produzir os rendimentos prometidos e os agricultores não estão autorizados a guardar sementes devido as patentes das empresa. Sem falar que são obrigado a gastar muito dinheiro com fertilizantes e pesticidas.

O cultivo de orgânicos também é importante por causa de todos os problemas de saúde causados pelos pesticidas. Cada pessoa no planeta pode se alimentar com menos de 100 metros quadrados de terra bem gerida. Os agrihoods estão se tornando populares nos EUA por que as pessoas anseiam se conectar com a fonte de nossa comida e com a terra.

Não faz sentido as cidades não terem suas próprias fazendas que produzam alimentos de forma orgânica sem agrotóxicos e sem modificação genética para alimentar sua própria população. Tudo acaba vindo de outros lugares distantes, fazendo com que os custo com combustível e transporte de alimentos sejam elevados. As agrihoods são uma resposta sustentável para esse problema.

Se você acha que esse projeto é muito longe da realidade brasileira, saiba que apesar de não termos um projeto idêntico aos americanos, temos as ecovilas que são projeto que procuram ser auto-sustentáveis em todos os sentidos, e como já falei em outro post, também temos o ecopolo equilibrium em construção, para saber mais sobre clique aqui, e se quiser saber mais sobre ecovilas, recomendo esse post e esse vídeo:

https://viagem.catracalivre.com.br/brasil/roteiro-viagem/indicacao/conheca-10-ecovilas-brasileiras/embed/#?secret=7fWUKGVeGR

Como vocês puderam ver ao longo desse post, existem várias formas de ter auto-suficiência alimentar, algumas simples e outras mais complexas, em centros urbanos ou longe deles, que podem te sustentar por um bom período do ano sem te preocupar em ir na feira, ou te sustentar por um ano todo e ainda sobrar um excedente que pode ser distribuído de forma farta para todos da comunidade. Não existem limites para a criatividade humana, qualquer ambiente pode ser adaptado e se transformar em uma pequena horta ou fazenda, só depende de você, e quem sabe essa não era a atitude que faltava para ajudar acabar com a fome no mundo? 😉

Faça uma revolução verde acontecer!

Para finalizar, vou deixar aqui algumas imagens de fazendas urbanas para inspirar.

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Fontes: TED, Mundo Gumpstylourbano,

https://hortadascorujas.wordpress.com/

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