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Como o cérebro realiza ‘viagens mentais no tempo’

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PHOTO MEMORIES

Recordações vívidas que lembram uma experiência com detalhes sensoriais profundos podem dar a impressão de nos transportar de volta para outro tempo e lugar.

Quando recordamos aquela informação específica que procurávamos, também recordamos muitos outros detalhes em volta dela – como nos sentimos naquele momento, o que estávamos vestindo, o que aconteceu antes e depois.

Pesquisas novas de neurocientistas da Universidade Vanderbilt lançam luz sobre como o cérebro exerce essa função notável.

Os cientistas analisaram a atividade cerebral de indivíduos que realizavam uma tarefa de recordação de memórias, para mostrar o que acontece quando temos recordações detalhadas que parecem tão reais que nos levam de volta a um tempo passado.

Eles puderam usar padrões de atividade cerebral para prever a ordem em que os participantes no estudo recordariam informações que tinham recebido no passado.

“É muito importante entender o que fazem as diferentes regiões cerebrais no momento em que realizamos uma busca na memória”, explicou em comunicado o autor principal do estudo, o psicólogo Dr. Sean Polyn.

“Doenças como Alzheimer e epilepsia exercem impacto devastador sobre a memória. Estas informações podem nos ajudar a desenvolver tratamentos para preservar a memória dos pacientes e identificar possível efeitos adversos de novos fármacos psicotrópicos sobre a memória das pessoas.”

A equipe da Universidade Vanderbilt procurou determinar como são codificadas as lembranças, com níveis variados de detalhes e vividez.

Ela estudou tanto as chamadas “memórias de alta fidelidade” – as que ficam muito bem preservadas em nossa mente, mesmo anos depois – quanto as informações que são recordadas, mas isoladamente, sem ser acompanhadas dos detalhes e das informações sensoriais que as cercaram.

“No dia a dia, quando você vive uma experiência seu cérebro constrói um código neural complexo que representa os detalhes dessa experiência.

Mais tarde, quando você se recorda do que viveu, o cérebro procura reativar aquela representação neural”, Polyn explicou em e-mail ao Huffington Post.

“Uma viagem mental no tempo é que acontece quando o cérebro faz um ótimo trabalho na reativação daquele estado passado, dando-lhe a sensação de estar realmente revivendo a experiência em sua cabeça.”

De acordo com Polyn, se uma pessoa estuda uma lista de itens e então faz uma busca na memória para tentar enumerar os itens na ordem em que estavam listados, ela frequentemente relata várias coisas que aconteceram no momento em que se recordou de cada item.

Isso sugere que o cérebro fez uma viagem mental no tempo de volta àquele momento.

Uma região cerebral chamada lobo temporal medial (LTM) exerce um papel na memória; isso é sabido porque, quando essa região sofre uma lesão, frequentemente ocorre amnésia.

Os pesquisadores criaram um modelo para mostrar como estruturas dentro do LTM contribuem para a recuperação de memórias.

Descobriram que a região anterior do LTM emite um sinal quando a memória está sendo recuperada, mas não sugere quão detalhada é a memória em questão.

 

Mas descobriram que a região posterior é ativada quando uma memória altamente detalhada está sendo recordada.

“Constatamos que a presença de atividade no lobo temporal medial posterior permite prever quando a pessoa vai ter um chamado ‘momento de viagem mental no tempo’.

Podemos prever quando ela vai relatar uma série de recordações de coisas que aconteceram no mesmo momento”, disse Polyn.

Para testar o modelo, foram feitas ressonâncias magnéticas funcionais com 20 participantes na faixa dos 18 aos 35 anos, enquanto era apresentada a eles uma lista com 24 nomes de objetos comuns, como “cavalo” e “barco”.

Depois de concentrar-se brevemente sobre as palavras e fazer uma pausa, pediu-se que eles recordassem as palavras que tinham acabado de estudar na ordem em que tinham sido enumeradas.

Os cientistas descobriram que, quando a atividade cerebral de um participante revelava que ele tinha recuperado uma memória de “alta fidelidade”, sua reação seguinte provavelmente seria citar o item seguinte na lista – sugerindo que o participante também se recordava dos detalhes que cercaram o objeto.

Mas, quando o participante não se recordava do item com alta fidelidade, o item seguinte que citava em muitos casos não era o item seguinte na lista, sugerindo que a informação tinha sido lembrada de modo isolado.

“Isso demonstra que o cérebro ‘carimba’ um código temporal sobre as memórias”, disse Polyn no comunicado.

“Essas recordações do tipo ‘viagem no tempo’ permitem ao cérebro recuperar aquele código temporal, tornando mais acessíveis as memórias de coisas próximas – neste caso, o item seguinte na lista.”

Entender o que acontece em diferentes regiões cerebrais quando tentamos recuperar memórias pode ter implicações importantes para o estudo de transtornos ligados à memória, como o mal de Alzheimer.

“As pessoas com doença de Alzheimer ou outras formas de demência frequentemente têm dificuldade em lembrar coisas que acabaram de lhes acontecer”, disse Polyn ao HuffPost.

“Por exemplo, um médico pode levar um paciente a repetir uma série de números algumas vezes, mas então, minutos mais tarde, o paciente pode nem sequer lembrar que eles tinham falado nos números. Se pudermos captar o que fazem as diferentes regiões cerebrais durante uma recuperação saudável de memória, isso nos ajudará a entender o que dá errado quando a memória é danificada. Também pode nos ajudar a desenvolver exames mais acurados para a detecção precoce dos transtornos de memória e nos dar ideias de tratamentos melhores para as pessoas que apresentam esses transtornos.”

O estudo foi publicado em 18 de fevereiro no Journal of Neuroscience.

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