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Brasil pode ser o próximo polo de inovação tecnológica

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Sean Rile

Esqueça o Vale do Silício, pois polos de inovação tecnológica estão emergindo por todo o mundo para competir com o maior centro de tecnologia que conhecemos.

No entanto, para criar a “próxima grande novidade” do mercado, os polos de inovação precisam de alguns ingredientes-chave, como educação, colaboração, apoio do governo e, o mais importante, capital. Enquanto a América do Sul ainda não produziu seu próprio polo de inovação, os sinais apontam para o Brasil como um pioneiro na área, com empresas como a Movile liderando o caminho.

E polos estabelecidos em Israel, Japão e China ilustram o que é preciso para ser bem-sucedido, criando modelos que o Brasil poderia acompanhar para desenvolver uma cultura de inovação tecnológica robusta e duradoura.

Anatomia de um polo de inovação

A criação de inovação bem-sucedida não ocorre da noite para o dia. Como dito anteriormente, ela exige cidadãos com mentalidade empreendedora, apoio governamental e negócios para nutrir tal comunidade e possibilitar sua existência.

A educação é, indiscutivelmente, a peça mais importante do quebra-cabeça, à medida em que países precisam de uma população altamente educada para criar ideias inovadoras. Esse grupo também comporá a força de trabalho que ajudará essas ideias a alcançarem o sucesso. Além disso, um bom sistema educacional não apenas atrai as mentes mais brilhantes da região, mas também conquista estudantes de outros países.

As universidades servem como ótimas incubadoras de negócios. Elas oferecem centros de pesquisa que colaboram com o setor de negócios a fim de testarem provas conceituais para um novo produto ou serviço. Em alguns casos, os resultados dessas colaborações podem atrair investimento externo e talento adicional para a região.

O apoio governamental também é muito importante. Políticas públicas favoráveis para negócios de alta tecnologia e incentivos fiscais podem ajudar a acelerar a criação de um polo de inovação. No Japão, por exemplo, o governo fez uma parceria com a Comissão Europeia para formar o Centro UE-Japão, uma organização que nutre maior colaboração entre as duas regiões. A missão da organização é aumentar a competitividade das empresas europeias e japonesas. Além disso, o Japão oferece incentivos fiscais, o que permite que grandes empresas obtenham crédito fiscal equivalente entre 8% e 10% de seus gastos com pesquisa e desenvolvimento.

Polos de inovação pelo mundo

Enquanto alguns polos de inovação compartilham as mesmas características, cada um deles exibe rotas individuais nas quais o Brasil pode se inspirar para criar seus próprios polos.

O Paris-Saclay, por exemplo, um polo emergente próximo de Paris, na França, recebeu 3 bilhões de dólares em apoio governamental. O polo envolve uma parceria entre companhias e 19 instituições educacionais, com uma meta de transformar a área em uma líder na educação e inovação. Apesar de a região já contar com grandes empresas – como a Siemens e Airbus Group NV -, reforçar esses negócios existentes é apenas parte da equação; desenvolver as próximas grandes empresas é a missão principal.

A mais de 3.000 milhas de distância do Paris-Saclay, Israel criou seu próprio polo durante a década passada com vários atuantes no espaço de aplicativos. Com uma população de cerca de 7,7 milhões, Israel possuía quase 5.000 startups e quase 250.000 trabalhadores de alta tecnologia em 2013. A maior história de sucesso é a do Waze – aplicativo de navegação e mapeamento social que o Google comprou por mais de 1,1 bilhão de dólares.

A Ásia também desenvolveu um impressionante centro tecnológico. A China possui mais de 650 milhões de usuários de internet e permanece amplamente insular, o que ajudou Pequim a desenvolver o que pode ser chamado de Vale do Silício Oriental. Com quase um terço do capital de risco total da China concentrado em Pequim, existem amplas oportunidades para empresas obterem financiamento.

A gigante da tecnologia Baidu, por exemplo, contribui muito para a inovação da China através de seu negócio de pesquisa original e novos empreendimentos como veículos que se dirigem. Mas a Área Zhongguancun de Tecnologia e Ciência é o coração do polo de inovação de Pequim, com dúzias das empresas de tecnologia mais poderosas mantendo sedes por lá. O escritório de ciência e tecnologia é, essencialmente, um símbolo vivo da inovação do país e um sinal para trabalhadores de alta tecnologia pelo mundo de que existe um local onde eles podem prosperar.

Oportunidades no Brasil

O Brasil está bem posicionado para se juntar aos polos de inovação de elite do mundo. Campinas já é conhecida em alguns círculos como o “Vale do Silício Brasileiro” e se encaixa em todos os requerimentos básicos para um polo de inovação. Existem dúzias de negócios e instituições de educação na região e grandes empresas tecnológicas como a Movile – criadora do aplicativo educacional PlayKids e detentora de aplicativos como o iFood e Truckpad – tem sedes aqui e o governo local oferece vários incentivos para atrair startups e grandes empresas.

Existem várias incubadoras de startups localizadas em Campinas, mas um dos exemplos mais interessantes é a Associação Campinas Startups, criada em 2010. Originalmente afiliada com uma das universidades locais, esse grupo decidiu que seriam melhor servidos ao ajudar uns aos outros em vez de depender de um professor ou de um negócio local. Em menos de um ano, o grupo aumentou sua receita agregada em mais de seis vezes. É um modelo que não seria esperado no mundo tipicamente competitivo de startups e um reflexo do espírito mais social e cooperativo da comunidade tecnológica do Brasil.

Grandes multinacionais têm um interesse investido no Brasil, assim como empresas como a General Electric (GE) e IBM, que fizeram grandes investimentos em pesquisa. Em 2014, a GE finalizou a construção de uma instalação de 500 milhões de dólares, que empregará centenas de pesquisadores. E em 2010, a IBM estabeleceu uma instalação no Brasil que é lar de mais de 100 funcionários e conecta a rede de pesquisadores da IBM em suas 11 instalações pelo mundo.

Esses componentes não fariam sentido sem capital e o Brasil viu tremendo interesse de investidores nos anos recentes. A Brazil Innovators, fundada por Bedy Yang e agora composta por mais de 3.000 empreendedores, investidores e líderes de pensamento, é um exemplo desses. Yang trabalha no Vale do Silício como um parceiro gestor na prestigiosa 500 Startups, mas viaja frequentemente para o Brasil e estabeleceu conexões no país. Essa não é a única empresa baseada nos EUA a mostrar interesse pelo Brasil – no início de 2015, a Accel Partners investiu 10 milhões de dólares no serviço de educação online eduK.

Os componentes básicos estão aqui, mas o que também torna o Brasil tão preparado para inovação é sua ênfase em energia sustentável. O país conta com mais de 75% de sua eletricidade de hidrelétricas e mais de 85% de sua produção total vem de fontes renováveis. Esse ambiente cria uma ótima oportunidade de prosperidade para as empresas de tecnologia focadas em energia verde. De aplicativos móveis a produtos para o consumidor e serviços B2B e O2O, o Brasil pode desenvolver um polo de inovação que exiba para o resto do mundo como casar habilidosamente tecnologia e sustentabilidade. Além disso, o país possui todos os ingredientes importantes – incluindo incentivos governamentais e um centro de tecnologia em desenvolvimento em Campinas – que eventualmente podem ajudá-lo a rivalizar com os outros Vales do Silício espalhados pelo mundo.

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