HÉLIO'S BLOG

Início » Sem categoria » Roberto Marinho era parte da Ditadura Militar

Roberto Marinho era parte da Ditadura Militar

https://helioaraujosilva.wordpress.com/

Categorias

HÉLIO’S BLOG

#Divulgação Científica

Facebook , Twitter :@Heliosblog,  Linked,  Sonico

 

Wikileaks revela

Roberto Marinho era parte da Ditadura Militar

Documento da embaixada mostra que dono da Rede Globo possuía poder de decisão dentro da Ditadura, com contato direto com a alta cúpula militar

Roberto Marinho e o presidente Figueiredo.

Um documento da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, revelado pelo portal Wikileaks, do período da Ditadura Militar, mostra o nível de influência que Roberto Marinho, dono da Rede Globo, possuía dentro do governo e com o imperialismo. Classificado como confidencial, o documento era assinado pelo embaixador Lincoln Gordon e direcionado para o Departamento de Estado dos EUA.

O documento de 1965 tratava da sucessão presidencial de Castello Branco, o primeiro presidente que assumiu após o golpe. Marinho articulava com o próprio presidente, a alta cúpula militar e importantes políticos do país para tentar garantir um prolongamento do mandato ou a reeleição de Castello Branco, mesmo com a resistência do próprio mandatário.

Para evitar a volta de políticos do PTB para o governo e a “ameaça comunista”, Marinho especula a possibilidade de modificar o formato da votação, para passar a eleição de presidente para via indireta, pelo Congresso Nacional. Há também especulações entre nomes para a sucessão, entre elas, o nome de Costa e Silva, que veio de fato a assumir após a saída de Castello Branco.

Além de temer a volta do PTB, Marinho e os militares não tinham interesse de passar a presidência para a ala mais radical da direita, representada principalmente por Carlos Lacerda, principal opositor do varguismo.

“Em 31 de julho, Marinho teve um segundo almoço íntimo com o presidente em que ele ressaltou que as eleições presidenciais diretas, em 1966, sem o próprio Castello como candidato iria correr grave risco de devolver os destinos do país até os antigos partidários descontentes de Goulart, Kubitschek e Jânio Quadros, provavelmente incorporado na pessoa de Carvalho Pinto, ou entregá-los a Lacerda, a quem Marinho caracterizou como um louco”, relata o documento escrito por Gordon.

Vale ressaltar que dos nomes citados como sendo risco para o rumo que a ditadura estava tomando, apenas Jânio Quadros e Carlos Alberto Carvalho Pinto não têm a morte suspeita de ter sido causada pela ditadura. Após o final da Ditadura, se revelou que a morte de João Goulart, Juscelino Kubitschek e até de Carlos Lacerda foram provocadas pelo próprio regime, como forma de calar qualquer oposição. Os três morreram entre 1976 e 77.

No mesmo ano do documento, Roberto Marinho, até então herdeiro do jornal O Globo, que já possuía uma emissora de rádio, ganhou concessão pública para atuar também no meio televisivo. O canal foi importante para a sustentação do regime político e ampliou a influência de Roberto Marinho dentro da política do país.

Este documento revela o poder que Roberto Marinho possuía dentro da Ditadura Militar, sendo possível afirmar que ele não era um apoiador, mas sim parte integrante do regime.

Leia abaixo a tradução do documento

Este documento relata a conversa altamente confidencial durante almoço nesta sexta-feira com Roberto Marinho, da editora Globo, sobre o problema da sucessão presidencial. É essencial a proteção da fonte.

Há alguns meses, Marinho tem estado convencido de que a manutenção de Castello Branco como presidente para um novo mandato é indispensável à continuidade das políticas do governo atual e evitar crise política desastrosa aqui. Ele tem trabalhado em silêncio com o grupo, incluindo general Ernesto Geisel, chefe presidência casa militar, gen. Golbery, chefe do Serviço Nacional de Informação, Luis Vianna, Casa Civil chefe, deputado Paulo Sarazate, um dos amigos mais íntimos do presidente, e outros com o mesmo objetivo. No início de julho, a pedido do grupo, Marinho teve um almoço privado com o presidente, no qual ele encontrou Castello fortemente resistente a qualquer forma de continuação do mandato ou a reeleição, mas com a promessa de não fazer declarações ainda mais firmes, como a ameaça de demissão se reeleito, que ele já tinha feito. Marinho também tem autoridade para sondar o embaixador Juracy, acessível como possível candidato alternativo e para melhorar o funcionamento deste politicamente importante ministério cujo responsável atual, Milton Campos, é altamente respeitável, mas um velho cavalheiro totalmente fora de moda.

Em 31 de julho, Marinho teve um segundo almoço íntimo com o presidente em que ele ressaltou que as eleições presidenciais diretas, em 1966, sem o próprio Castello como candidato iria correr grave risco de devolver os destinos do país até os antigos partidários descontentes de Goulart, Kubitschek e Jânio Quadros, provavelmente incorporado na pessoa de Carvalho Pinto, ou entregá-los a Lacerda, a quem Marinho caracterizou como um louco. Foi tudo muito bem pensar em Juracy Magalhães ou Bilac Pinto como sucessores, mas a eleição deles certamente não poderia ser garantida e a experiência recente na Guanabara, com a nomeação do marechal Lott pelo PTB em uma política francamente contra a revolução e com o apoio comunista ilustrou bem o perigo. Marinho tinha dito ao presidente que simpatizava com o desejo de Castello de manter a promessa de abandonar o mandato no início de 1967 e retirar-se para merecido descanso, mas se este feito ao custo do retorno ao passado do Brasil, ele estaria violando a confiança que a nação depositou nele. Como um oficial de equipe bom, Castello deve pesar essas alternativas e arrisca sua aceitação da conclusão lógica, Marinho foi definitivamente satisfeito pelo final da conversa que Castello deixaria de se opor firmemente e iria cooperar com medidas para tornar possível sua reeleição, provavelmente através de alguma forma de eleição indireta.

Nesta base, o grupo mencionado no parágrafo dois está definindo uma estratégia que envolve duas emendas constitucionais. A primeira, que seria votada antes das eleições para governador do estado de outubro de 1965, mudaria a eleição presidencial de 1966 do voto popular direto para a forma indireta, no Congresso. O segundo, que seria apresentado e votado entre as eleições estaduais e do vencimento em 31 de janeiro de 1966 os recursos de emenda constitucional do Ato Institucional (permitindo alterações para serem votadas por maioria absoluta de ambas as Casas, em vez de dois terços) faria Castello Branco elegível para concorrer na referida eleição indireta Algumas idéias tem sido dada sobre uma simples prorrogação do mandato de Castello, mas isso é atualmente menos provável do que a eleição indireta. Também houve discussão sobre se a eleição indireta deve ser pelo atual Congresso ou seus sucessores eleitos em novembro de 1966; reconhece-se que este último seria mais correto e democrático, mas os riscos seriam maiores e atual tendência do grupo é preferir usar o congresso existente.

A nomeação inesperada de Lott pelo PTB em uma convenção fraudada onde a influência comunista do lado de fora era muito evidente foi um abrir de olhos para o próprio presidente e de quaisquer outros apoiadores da revolução. Tem dúvidas sobre a estratégia anterior de garantir um amplo consenso sobre os candidatos centristas e ilustrado tanto a força e a ousadia dos contrarrevolucionários.

Durante 31 de julho, em conversa com Castello, Marinho também levantou questão do interesse de general Costa e Silva pela presidência, Castello estava inclinado a menosprezar a sua importância, mas depois de discussão concordaram que alguns dos seus conhcidos devem discutir com o ministro da Guerra os perigos que possam correr ao executar a revolução, a menos que encontrem um meio reeleger o próprio Castello . Esta tarefa foi realizada no início desta semana pelos deputados coronel Costa Cavalcanti e Paulo Sarazate. Eles relataram que Costa e Silva era no início mais avesso a desistir da idéia da sua própria candidatura, mas se mostrou muito tranquilo em face do argumento de que, em uma eleição direta, ele pode perder ou para Carvalho Pinto ou para Lacerda, a ambos ele tem pouco respeito.

Os próximos passos desta estratégia são para conquistar certos membros-chave do Congresso, como Pedro Alexo, Bilac Pinto, Felinto Muller, e outros líderes do PSD. Marinho destacou que muitos obstáculos inesperados podem surgir na execução através da estratégia, que será, naturalmente, a oposição de Lacerda, de um lado e as forças contrarrevolucionárias, por outro. Ele, no entanto, sente-se que, actualmente, tem uma melhor chance de sucesso.

Comentário. Enquanto colunas de fofocas políticas estão cheios de especulações em muitos tipos de movimentos para modificar o regime inspirado por políticos com eixos próprios de reivindicação considero as informações de Marinho como muito mais confiável do que a discussão em muitos destes relatos.

Gordon

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: